Internacionalização: revista Uniso Ciência chega ao Japão
A edição 17 da revista bilíngue Uniso Ciência chegou às mãos de pesquisadores parceiros da Universidade de Sorocaba (Uniso) no Japão. Eles contribuíram como fontes especialistas na produção da reportagem “O que o mundo pode aprender com os satoyama e as florestas sagradas do Japão?”, um texto denso, com 50 páginas de um conteúdo exclusivo, que conta como os japoneses utilizam as florestas como espaços provedores de diversos serviços ecossistêmicos, inclusive atividades de lazer, estudo e cultura em geral, e como esse é, também, um aspecto importante para a conservação.
Criada em 2018, a revista Uniso Ciência é uma publicação semestral e internacional. O conteúdo faz parte do projeto de divulgação científica da Uniso e é elaborado com base nas pesquisas de mestrado e doutorado desenvolvidas pelos Programas de Pós-Graduação da Uniso em Ciências Farmacêuticas (PPGCF); Comunicação e Cultura (PPGCC); Educação (PPGE); e Processos Tecnológicos e Ambientais (PPGPTA), além de reportagens temáticas baseadas em tópicos de interesse para a sociedade.

De acordo com o professor Guilherme Profeta, docente do PPGE e do PPGCC, e autor da reportagem sobre os satoyama, a produção contou com a participação dos professores doutores Reiji Suzuki (@kuas_intl), Suneetha Mazhenchery Subramanian (@unu_ias; @satoyamainitiative) e Kazuhiko Takeuchi, que foi vice-reitor da Universidade das Nações Unidas (UNU), secretário-geral adjunto da Organização das Nações Unidas (ONU), e hoje é presidente do Instituto de Estratégias Ambientais Globais e pesquisador do Instituto para Iniciativas do Futuro da Universidade de Tóquio. “Fontes que são referências internacionais indiscutíveis em suas respectivas áreas de atuação”, pondera.



O professor detalha que a reportagem contém 50 páginas de “puro longform [conteúdo longo], com apuração em campo, elementos de jornalismo literário e de ‘wisdom journalism’”. O termo citado pelo professor Guilherme Profeta, em uma tradução simples, significa “jornalismo da sabedoria” e é um conceito criado por Mitchell Stephens, docente da Universidade de Nova York, que defende um estilo de jornalismo que vá além do factual, apresentando ao leitor apurações aprofundadas, análises interpretativas e explicações críticas. Além disso, segundo o professor, a reportagem é sustentada pelo embasamento teórico da pesquisa em jornalismo que ele desenvolve no PPGCC, além de um amplo potencial de uso em contextos educacionais — tanto informais quanto escolares —, especialmente na educação ambiental, que é um de seus objetos de estudo no PPGE.

A devolutiva para as fontes
Para além da internacionalização, o professor Guilherme Profeta comenta sobre a importância jornalística de se mostrar aos entrevistados o que foi produzido a partir de suas falas. “É uma relação de respeito com as fontes fazer com que elas recebam o produto final que ajudaram a construir. E essas fontes, especialmente o professor Takeuchi, são renomadas internacionalmente nas suas áreas de atuação”, reforça.
Segundo ele, o fato de as fontes receberem, validarem e repercutirem a revista é mais uma etapa de validação do trabalho que vem sendo realizado. O professor comenta que contar com fontes gabaritadas, tanto externas, que estão atuando no Japão, quanto internas, como os professores da Uniso Nobel Penteado e Thiago Marques, que participaram da reportagem, demonstra o potencial da produção. “De tudo que já fizemos nesses nove anos de revista, essa é, sem dúvidas, a iniciativa mais ambiciosa”, destaca.

O processo de internacionalização da Uniso
Sobre a internacionalização, o professor Guilherme Profeta ressalta que ela é um objetivo de longo prazo que apresenta desafios para a sua concretização. “Estamos no sul global, em um país que não fala inglês cotidianamente, então temos uma série de obstáculos, de empecilhos que tornam a internacionalização mais difícil do que em outros países. Então são necessárias ações progressivas”, pondera.
Ele destaca que a continuidade dos projetos, mesmo com as trocas de gestões da reitoria, é um dos pilares para que essas ações possam ocorrer. “A reitoria, tanto nesta gestão como nas anteriores, vem realizando ações progressivas para a internacionalização, como programas de visitas de universidades parceiras, assinatura de novos memorandos de cooperação e visitas internacionais. Tem uma série de coisas acontecendo”, relata.
“A internacionalização é um processo orgânico, complexo e, por consequência, composto por múltiplas camadas. Na Uniso, ela começou há mais de 20 anos, como começa a maioria dos processos: promovendo a mobilidade de professores e de alunos”, explica o professor Rogério Profeta, responsável pela Pró-Reitoria Administrativa, de Inovação e de Internacionalização (PROADIN).
De acordo com o Pró-Reitor, a próxima camada é o intercâmbio de intelectos, ou seja, intercâmbio de pessoas e ideias. Segundo ele, o objetivo é conectar pessoas de diversas áreas do conhecimento para que elas produzam ciência de uma forma que possa ser replicada ou completada ao longo do processo de internacionalização. “Nós temos na revista o instrumento para fazer esse intercâmbio, fazer com que as nossas produções científicas cheguem às instituições de ensino e aos órgãos de fomento”, detalha.

Dentro desse contexto, o professor Guilherme Profeta ressalta que a revista Uniso Ciência é uma iniciativa importante por ser uma vitrine das pesquisas da Universidade para o mundo, já validada e publicada originalmente em inglês. “Você pula uma etapa do processo, pois ela já está disponível em língua inglesa para falantes de língua inglesa em outros países. Ela funciona como uma vitrine, quando alguém vem de fora do Brasil e quer saber o que se faz na Uniso, a pessoa vai buscar na revista”, comenta.
Para ele, a revista também funciona como um cartão de visitas científico no caminho inverso. “Quando alguém vai para fora do Brasil e precisa mostrar o que é a Universidade, essa pessoa leva a Uniso Ciência consigo, tanto digitalmente quanto fisicamente. As nossas universidades parceiras pelo mundo recebem essa revista, algumas fisicamente, todas elas digitalmente. Então, a revista é um instrumento importante para a internacionalização”, explica.
Sobre a conexão Brasil-Japão, o professor Guilherme Profeta destaca que ela é importante, por solidificar uma parceria nova. Segundo ele, a parceria com a Universidade de Kyoto é, dentre os memorandos de cooperação que a Uniso tem assinado nos últimos tempos, o mais recente. “Essa visita internacional, que possibilitou a produção da reportagem, contribuiu para solidificar essa parceria, além de potencialmente criar outras conexões entre instituições e pesquisadores”, detalha.
De acordo com ambos os professores, os intercâmbios para os processos de internacionalização se dão por meio da “diplomacia científica”, sendo a revista Uniso Ciência um instrumento para essa relação.
A revista Uniso Ciência e a “diplomacia científica”
O professor Guilherme Profeta frisa que a Uniso Ciência, além de ser um projeto de divulgação científica, possui o papel de promover a “diplomacia científica”, ou seja, de ser uma ferramenta para o fomento de encontros entre pares que não se conhecem, que estão distantes ou que nunca pensaram em realizar produções em conjunto.
“A ideia não é apenas reagirmos a pautas que surgem na universidade e em seus entornos, mas criarmos as condições propícias para que essas parcerias surjam intermediadas pelas reportagens. É criar as próprias pautas e engendrar novas colaborações. Trata-se de entender que somos um projeto já maduro, e assumir uma postura mais ativa. É isso que estamos chamando de diplomacia científica”, explica.
Segundo o professor, o objetivo é usar as conexões jornalísticas já estabelecidas para promover novas parcerias institucionais. “Dessa forma, a revista deixa de ser somente um instrumento de divulgação, de comunicação e de educação informal, e passa a ser um instrumento político para o estabelecimento de novas parcerias”, complementa.
Para ler a íntegra da reportagem sobre os satoyama e outras publicações da revista Uniso Ciência, acesse o site: https://uniso.br/projeto-uniso-ciencia/.
Confira a lista completa de universidades internacionais parceiras da Uniso e mais informações sobre internacionalização acessando o site da Assessoria de Relações Nacionais e Internacionais (ARNI): https://uniso.br/mobilidade/.
Texto: Rafael Filho
