22 de julho de 2026
Notícia 1

Professor da Uniso é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico

Com o livro Quelônios Continentais e Crocodilianos do Brasil, o professor e coordenador do curso de Ciências Biológicas da Uniso, Thiago Simon Marques, está entre os 10 semifinalistas da 3ª edição do “Prêmio Jabuti Acadêmico” (PJA), promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).

No dia 27 de julho serão divulgados os cinco finalistas e a cerimônia de premiação está prevista para o dia 11 de agosto, com transmissão ao vivo pelo canal oficial da CBL no Youtube. Somando todas as categorias o prêmio recebeu em 2026 cerca de 2.085 inscrições de todo o Brasil.

Desde seu lançamento, o livro já possui mais de 6.000 downloads (crédito: divulgação)

Lançado em 2025 por meio de uma parceria entre Marques e outros 15 pesquisadores, o livro — que possui acesso gratuito — está concorrendo na categoria “Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia” do eixo “Ciência e Cultura”.

“É a primeira vez que participo. O Prêmio Jabuti tradicional já existe há um tempo, o acadêmico é mais recente, mas já tem ganhado destaque e se tornou uma referência em nível nacional, sendo o maior prêmio relacionado a livros”, detalha.

De acordo com Marques, o PJA vem ganhando força no meio acadêmico, de modo que autores com pesquisas em desenvolvimento já consideram a submissão de seus trabalhos ao prêmio para ganhar maior visibilidade.

Em sua primeira inscrição no prêmio, o professor Thiago S. Marques está entre os 10 semifinalistas (crédito: Fernando Rezende)

Marques conta que a ideia do livro surgiu após conversas entre seus pares que organizaram um Simpósio de Quelônios dentro da 9ª edição do Congresso Brasileiro de Herpetologia, realizado na cidade de Campinas em 2019. “Como são poucos pesquisadores do Brasil que trabalham com essas espécies, a gente acaba se conhecendo e conversando em congressos científicos, eventos. Foi nesse contexto que surgiu a ideia”, detalha.

Marques aponta que um dos motivos do sucesso do livro é a pluralidade da equipe de autores, que conta com pesquisadores de todo o país. “A realidade do estado de São Paulo é completamente diferente da realidade amazônica. E queríamos congregar toda essa experiência dentro do livro. A gente foi convidando pessoas que trabalhavam com o tema até chegar na equipe atual. Não foi um processo simples e rápido”, relata.

Professor Thiago S. Marques: “espero que o livro possa despertar a curiosidade das pessoas de maneira geral, para ampliarem seu conhecimento sobre estes animais, e se tornarem futuros pesquisadores ou difusores de informações a respeito deles” (crédito: Fernando Rezende)

Em relação à publicação do livro somente no formato digital, Marques explica que, durante a produção da obra, os autores fizeram essa opção com o intuito de que ela alcançasse um maior número de pessoas.

Sobre isso, Marques faz questão de reforçar que o livro não é puramente científico, possuindo uma linguagem mais acessível. “Queremos atingir principalmente alunos de graduação que estão começando a estudar essas espécies, porque são grupos que não possuem muitos pesquisadores dedicando atenção a eles. Queremos popularizar um pouco e fazer com que estudantes de biologia e outros cursos da área ambiental, despertem esse interesse”, pondera.

A importância da obra para a biodiversidade

Além da educação ambiental com orientações sobre as espécies, o livro busca a conscientização sobre o comércio ilegal delas, que muitas vezes são vendidas como animais de estimação (crédito: Fernando Rezende)

“É uma obra que a gente estava há muito tempo trabalhando nela, porque não é fácil. Quem acessar o livro vai ver que são muitas espécies estudadas”, pontua. Marques classifica o livro como “uma obra densa, mas de linguagem simples”, pois ela envolveu inúmeros pesquisadores de diversas instituições que se dedicam à conservação dos quelônios, que englobam as tartarugas, os cágados e os jabutis.

De acordo com o professor, o Brasil é considerado um hotspot mundial — termo utilizado para regiões geográficas que possuem grandes quantidades de espécies exclusivas — pois possui quase 25% das espécies de crocodilianos do mundo (6 das 26), e 32 das 364 espécies de quelônios existentes. “Temos muitas espécies de quelônios e crocodilianos aqui no Brasil, mas não havia uma obra que sistematizasse isso”, complementa.

“O livro traduz um pouco do ‘beabá’ de como é trabalhar com essas espécies. Ele busca alertar sobre a comercialização ilegal desses animais como pets, e também traz informações básicas para as pessoas que gostam deste grupo, para poderem entender um pouquinho da biologia deles”, complementa.

Premiação anterior e as expectativas para o PJA

Em março de 2026 a obra recebeu o “Prêmio Alexandre Rodrigues Ferreira” promovido pela Sociedade Brasileira de Zoologia (crédito: divulgação)

“Como ganhamos um prêmio no início do ano, criamos uma expectativa que pelo menos passasse da primeira fase de seleção do PJA. Falamos ‘esse livro tem potencial’”. A premiação a que Marques se refere é o “Prêmio Alexandre Rodrigues Ferreira”, que reconheceu a melhor publicação científica na área de zoologia no período de 2023 a 2025. O prêmio é promovido pela Sociedade Brasileira de Zoologia e a cerimônia de entrega ocorreu no mês de março de 2026 durante o 36º Congresso Brasileiro de Zoologia.

E em relação às expectativas do prêmio, Marques comenta estar confiante, e o time dos autores, bem animado, aguardando ansiosamente as próximas etapas. “Estou com a esperança de passar entre os cinco finalistas e, quem sabe, ganhar, apesar de a gente saber que é muito disputado, estamos bem confiantes”, pontua.

Além de Marques, são autores do livro: Adriana Malvasio, Arthur Felipe Ferreira de Freitas, Elizângela Silva de Brito, Fábio de Lima Muniz, Flavio de Barros Molina, Franco Leandro de Souza, Geraldo Jorge Barbosa de Moura, Henrique Caldeira Costa, Luís Antonio Bochetti Bassetti, Natália Rizzo Friol, Rafael Martins Valadão, Raissa Fries Bressan, Sabine Borges da Rocha, Samuel Campos Gomides, Thiago Costa Gonçalves Portelinha.

TextoRafael Filho