Do resíduo ao funcional: o potencial da película prateada do café na alimentação
Por: professora ___________ e as estudantes de Engenharia de Alimentos Ana Luiza Soares Pinto; Julia Batista Pedroso da Cruz; Marcela Camargo Machado; Maria Júlia Pazetti Tomasi; Maria Júlia Ribeiro da Silva; e Maria Victória da Silva Molini
A agroindústria gera grandes volumes de resíduos que, muitas vezes, são descartados sem aproveitamento. Um exemplo disso é a película prateada do café, um subproduto obtido durante a torrefação dos grãos. Apesar de pouco utilizada, essa película possui alto teor de fibras e compostos bioativos, abrindo espaço para aplicações inovadoras na área de alimentos.
Pensando nisso, estudantes de Engenharia de Alimentos desenvolveram uma bebida láctea proteica enriquecida com a película prateada do café. A proposta une sustentabilidade e nutrição ao transformar um resíduo em ingrediente funcional, agregando valor ao produto final.
A bebida foi formulada a partir da combinação de leite, soro de leite e whey protein, resultando em um alimento com alto teor de proteínas. A adição da película prateada contribuiu significativamente para o aumento do teor de fibras, chegando a 16 g por porção, valor superior ao encontrado em produtos similares no mercado.
Além do ganho nutricional, a adição da película também influenciou a textura da bebida, tornando-a mais espessa e com leve aspecto arenoso, indicando a necessidade de ajustes para melhor aceitação.
Do ponto de vista da saúde, a bebida apresenta benefícios relevantes. As fibras auxiliam no funcionamento intestinal, no controle da glicemia e na redução do colesterol, enquanto as proteínas são fundamentais para a manutenção muscular (Santos, et al. 2026). Outro diferencial é a ausência de açúcares adicionados, alinhando-se às tendências de alimentação saudável.
A iniciativa reforça a importância da economia circular, ao propor o reaproveitamento de resíduos agroindustriais. Em vez de descarte, a película prateada passa a ser utilizada como matéria-prima para novos produtos, reduzindo impactos ambientais e promovendo inovação no setor alimentício.
Embora o custo inicial seja mais elevado devido à produção em pequena escala, há potencial de redução em cenário industrial, tornando o produto competitivo no mercado. O estudo demonstra que é possível desenvolver alimentos funcionais, nutritivos e sustentáveis a partir de subprodutos, abrindo caminho para novas aplicações na área.
A obtenção da película prateada foi viabilizada por meio de parceria com a engenheira de alimentos Loyane Jorge Vitória, coordenadora de processos e qualidade na Café Excelsior, que acompanhou o desenvolvimento do projeto.
Sobre a experiência, Loyane destaca:
“Tive o prazer de acompanhar o trabalho desenvolvido pelas estudantes de Engenharia de Alimentos da Uniso, que transformaram um subproduto do processo de torra do café — a película — em uma proposta inovadora de alimento.
A película prateada do café é uma fina camada natural que envolve o grão cru e se desprende durante a torra, sendo normalmente descartada. Atualmente, pode ter um destino mais sustentável, sendo utilizada como adubo.
Este grupo foi além, agregando valor ao subproduto ao introduzi-lo em um novo produto. Essa valorização gerou uma bebida com potencial funcional e sustentável, demonstrando como ciência e criatividade podem caminhar juntas.
Durante a apresentação do projeto integrador, foi possível conhecer todo o processo, desde a concepção até o produto final, apresentado com clareza, embasamento técnico e degustação. Foi uma experiência enriquecedora.
Iniciativas como essa reforçam a importância da conexão entre indústria e universidade, promovendo inovação e formando profissionais mais preparados.
Parabenizo as estudantes pelo excelente trabalho e agradeço à Universidade Uniso, à docente Rosângela Alves e à coordenadora Maria Eduarda Lousada pela condução do projeto. Esperamos fortalecer cada vez mais essa parceria.”
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