Primeira aluna beneficiada pelo Programa de Incentivo à Internacionalização da Uniso conta como foi a experiência nos EUA
“A galera me fez bastante perguntas, como foram as aulas, a viagem e como fiz para conseguir o incentivo. Expliquei para eles como eu encontrei o curso e também como funciona o incentivo da Uniso”, detalha a aluna do curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, Marianna Confortini Machado, sobre como foi o seu retorno às aulas no mês de agosto.
Machado participou de uma Summer Session, na University of California (UCLA), em Los Angeles. Segundo a aluna, a atividade faz parte de um programa desenvolvido pela UCLA, no qual as disciplinas ministradas geralmente em um bimestre são condensadas para serem apresentadas durante o período em que o aluno estiver fazendo o intercâmbio.
Assim como noticiado anteriormente em reportagem do Uniso Notícias, Machado foi a primeira aluna beneficiada pelo Programa de Incentivo à Internacionalização (PII) desenvolvido pela Uniso que, além de financiar parte da inscrição de alunos intercambistas, fornece semanalmente uma ajuda de custo.

De acordo com a assessora de relações nacionais e internacionais, Mariana Cancian de Jesus Oliveira, o PII é uma iniciativa da Uniso que busca apoiar estudantes de graduação e pós-graduação em experiências acadêmicas no exterior, como a realização de intercâmbios e a participação em congressos, simpósios e outros eventos acadêmicos e técnico-científicos.
Segundo Oliveira, o programa oferece uma ajuda de custo de US$ 200 por semana, além do reembolso de 70% da taxa de inscrição, quando houver, conforme os critérios estabelecidos pelo programa, contribuindo para ampliar as oportunidades de formação e vivência internacional dos estudantes.
Quem coordena as ações do PII é a Assessoria de Relações Nacionais e Internacionais (ARNI), um setor responsável por fortalecer as relações da Universidade com instituições internacionais de ensino, ampliando oportunidades de internacionalização para estudantes, professores e pesquisadores, por meio de parcerias, mobilidade acadêmica e cooperação em pesquisa.

Oliveira reforça que, além do PII, a ARNI também promove o Programa de Mobilidade Acadêmica. Segundo ela, o programa possibilita aos estudantes da Uniso realizar parte de sua formação em uma instituição de ensino superior parceira da Uniso no exterior. Durante esse período, o estudante pode cursar disciplinas da sua área, conhecer diferentes ambientes e metodologias de ensino e vivenciar outra cultura.
As diferenças entre as aulas brasileiras e estadunidenses
“As aulas, não achei tão diferente. Acho que o mais diferente era o fato de ser tudo em inglês. Na primeira semana, até me assustei um pouco. Falei ‘nossa, como vou conseguir acompanhar?’. Mas depois você vai pegando o jeito”, relata.
A aluna conta que a obrigatoriedade da entrega de relatórios semanais a ajudou na prática da nova língua. Para ela, ter participado de diversas aulas práticas em laboratórios, um diferencial da Uniso, facilitou o desenvolvimento das tarefas. “O fato de ter bastante aula de laboratório aqui, me ajudou bastante, porque eu vi gente lá tendo dúvidas sobre como escrever relatórios etc.”, pontua.
De acordo com Machado, as aulas na UCLA eram baseadas em estudos de artigos científicos, e os alunos eram orientados a ler os textos indicados e levar perguntas para serem discutidas em sala. “Durante a aula, a professora direcionava a gente de forma que ficasse mais fácil de se entender o artigo, pegar a essência. Ao final, a gente tinha que, em grupos de quatro pessoas, apresentar um seminário sobre ele. Bem interessante esse método de aula“, comenta.
“Um ponto que eu achei muito diferente é que quando eu fui apresentar um seminário, fiquei muito nervosa, porque ia ser um trabalho em inglês. Quando cheguei, percebi que todo mundo estava apresentando e lendo os textos. E aqui na Uniso a gente não tem esse costume, temos que saber o trabalho de cabeça e explicar. Pelo que eu entendi, isso é comum lá”, explica.

Sobre o contato com os colegas de sala, Machado comenta que teve uma certa dificuldade em fazer amizades devido ao perfil dos alunos e ao tempo reduzido para interação entre eles. “Lá parece que todos os alunos focam bastante em prestar atenção na aula e adquirir o conteúdo. Aqui você vê muita gente distraída às vezes. Durante as minhas aulas não tinha um momento de conversar. Era basicamente escutar o professor e tirar dúvidas”, pondera.
“Os professores foram muito receptivos, me trataram como se eu fosse de lá mesmo. Além das aulas, a gente tinha também um horário de dúvidas. Sempre deixavam aberto para a gente interagir com eles, conversar e perguntar qualquer coisa”, ela detalha.
Machado comenta que devido à ansiedade que o momento gerava, no primeiro dia perguntou aos professores sobre o funcionamento das aulas, trabalhos e provas e foi tranquilizada por eles, que afirmaram que ela não precisaria se preocupar com aquilo no momento e apenas aproveitar cada momento das aulas. “Eles me disseram também para não me preocupar tanto com a gramática em inglês, pois para eles o mais importante era que eu conseguisse transmitir as minhas ideias”, pontua.
A vivência em um país e em um espaço universitário diferentes
Sobre o contato com colegas fora da sala de aula, Machado conta que encontrou três alunas brasileiras durante sua passagem pela UCLA, sendo que uma delas mora na cidade de Orlando (EUA), e as outras duas moram no Brasil e foram estudar na universidade estadunidense. “Eu dividi o dormitório com duas estudantes coreanas. Foi bem diferente dividir quarto, banheiro e tudo mais, mas depois se acostuma”, detalha.

Machado relata que suas aulas eram de segunda a quinta, tendo os demais dias livres para descanso, estudos e passeios. Ela conta que na primeira semana saiu sozinha para conhecer Los Angeles, e depois que fez amizades começou a andar em grupo.
“Uma coisa que eu aprendi muito lá é não ter vergonha de perguntar. Acho que isso vai ajudar muito porque não tenho mais tanto receio de errar ou ser julgada por fazer uma pergunta que aparenta ser de alguém com falta de conhecimento”, detalha.
Outro fator que a aluna faz questão de destacar é a adaptação à alimentação local. “Nos refeitórios tinha lanche, pizza e batata frita, mais fast food. E a comida normal tinha sempre um tempero muito diferente e eu não estava acostumada. Depois eu encontrei um refeitório que tinha uma comida mais brasileira, arroz e feijão, aí foi mais tranquilo. Mas no começo foi um pouco complicado porque eu não estava adaptada”, relata. A aluna comenta também sobre a grande dificuldade em encontrar pratos com carnes bovinas. “Era muito difícil de encontrar. Frango e carne de porco tinha bastante, mas de boi eu acho que talvez eu nem tenha comido lá”, complementa.
“Uma experiência que todo mundo deveria ter”
Machado incentiva os estudantes que têm interesse em fazer intercâmbios, assim como aqueles que nunca pensaram nessa possibilidade, a se informarem, se organizarem e não deixarem de ter essa experiência. “É diferente de qualquer outra coisa. Acho que não tem alguma experiência que se aproxime disso. Ela te traz um crescimento, parece que você sai um pouco da bolha, tem uma visão completamente diferente tanto profissionalmente quanto da vida mesmo. Todo mundo deveria fazer”, confidencia.
Uma dica que Machado considera importante de ser compartilhada é o estudo antecipado da língua do país onde o intercâmbio será realizado. A aluna comenta que fez cursos de inglês no passado e nos seis meses que antecederam a viagem, fez revisões intensivas sobre o idioma. “Se eu pudesse, teria pego mais tempo para estudar e chegar lá com o inglês mais afiado. É essencial dominar a língua”, pontua.
A assessora da ARNI avalia essa primeira experiência no PII de forma muito positiva. Segundo Oliveira, essa foi uma oportunidade importante para a estudante e também um marco para a Uniso, que passa a ampliar, de forma cada vez mais concreta, as possibilidades de vivência internacional para seus alunos. “A experiência mostra como iniciativas de incentivo e mobilidade podem contribuir para a formação dos estudantes e, ao mesmo tempo, fortalecer a internacionalização da Universidade”, conclui.
Texto: Rafael Filho
Imagens: arquivo pessoal Marianna C. Machado
