Internacionalização: egresso da Uniso apresenta trabalho na Alemanha
O egresso do curso de Educação Física da Universidade de Sorocaba (Uniso), Andrey Santos Braz de Lima, de 22 anos, participou no último mês de julho da 1ª Conferência Científica da Sociedade Internacional de Oncologia do Exercício (ISEO), organizada pelo Centro de Pesquisa do Câncer da Alemanha (DKFZ), na cidade de Heidelberg.

O egresso, que concluiu o curso em 2025, atualmente, além de pesquisador atua como personal trainer em um estúdio particular, e está se dedicando à escrita de um projeto de pesquisa para poder participar de um processo seletivo para ingresso no mestrado da USP, instituição à qual está ligado o grupo de pesquisa que Lima integra e que deu origem à pesquisa apresentada na ISEO.
Lima é um dos coautores do artigo intitulado “Diferenças no Desempenho Funcional Entre Pacientes com Câncer Colorretal Avançado Antes da Quimioterapia e Idosos Pareados por Idade: Uma Análise Comparativa Transversal Utilizando Força de Preensão Manual, Timed Up and Go e Teste de Sentar e Levantar”. O trabalho foi escrito em coautoria com o professor da Uniso e da Universidade de São Paulo (USP), Fabrício Teixeira Garramona.
Em uma linguagem simples, detalhando o artigo, que é um recorte de uma pesquisa ainda em andamento, Lima explica que o estudo buscou identificar se existem diferenças no desempenho funcional entre pacientes com câncer colorretal avançado antes da quimioterapia, e idosos de mesma idade, não diagnosticados com a doença.

Participação ativa em grupo de pesquisa viabilizou a viagem
Sobre como surgiu a oportunidade da apresentação, Lima comenta que desde a graduação sempre teve a vontade de fazer um curso de pós, como mestrado e doutorado. Enquanto buscava grupos de pesquisa na sua área, principalmente os relacionados a exercícios, ele foi indicado pelo professor Garramona para um grupo de pesquisas sobre câncer. “Por estar dentro do grupo de pesquisa, e por fazer parte ativamente, a USP me concedeu essa oportunidade para poder conhecer esse primeiro congresso de exercícios de oncologia, para poder participar, conhecer os pesquisadores que fazem parte e produzem esse tipo de pesquisa”, detalha.
Primeira viagem internacional
“Tive contato com coisas muito diferentes, pessoas, paisagens, e até mesmo uma língua diferente. Essa primeira experiência que eu tive com esse mundo novo foi sensacional. Tanto que passou muito rápido. Foram cinco dias que, para mim, passaram voando”, relata Lima sobre a sua primeira viagem internacional acadêmica.
Lima comenta que os organizadores do congresso confidenciaram terem ficado muito felizes com a participação dos brasileiros e pela atuação ativa do país nessa área de pesquisa. “Tive contato com pessoas de Londrina, Santa Catarina e de outras cidades do Sul e Sudeste do Brasil. Conhecer tanto alemães quanto canadenses, estadunidenses e outras nacionalidades foi muito legal. Eles foram muito educados, e convidativos também”, detalha.

Segundo lima, durante os dias do congresso, foi possível perceber o quanto cada um dos participantes estavam unidos em prol da pesquisa, buscando entender melhor o que eles poderiam levar para os seus países, para aprimorarem ainda mais as formas de se fazer ciência. “Foi um ambiente bem agradável e de troca de ideias, até porque a proposta também foi de network”, relata.
A experiência de apresentar a pesquisa para um público Internacional
Sobre a experiência, Lima pontua que o começo foi muito difícil, porque foi a sua primeira viagem, e o primeiro contato com um congresso internacional. Ele cita que antes de viajar fez uma apresentação oral sobre o mesmo tema em um congresso de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, se apresentando para um grande público. “Na Alemanha, mesmo sendo uma apresentação no formato pôster tive muita de dificuldade pois o fluxo de pessoas que passavam era grande. Mas deu tudo certo”, complementa.
O pesquisador explica que o entendimento de que estava em um ambiente onde todos estão reunidos em prol da pesquisa, e não para avaliar sua performance, o ajudou a reduzir a sensação de insegurança. “Percebi que, na verdade, eles queriam entender qual era a ideia que eu queria transmitir, o que eu estou estudando, e não avaliar a forma como eu falava. Isso me ajudou a destravar. Foi muito difícil no começo, mas no tempo em que fiquei imerso, consegui melhorar bastante, ficando mais tranquilo para me apresentar”, pondera.
A importância da Uniso na formação acadêmica

Sobre a percepção de professor, ao ver um aluno recém-formado se destacando, Garramona comenta que é uma satisfação muito grande poder acompanhar o desenvolvimento de um aluno desde a graduação e vê-lo, logo após a conclusão do curso, participando ativamente do processo de construção e divulgação cientifica. “É muito gratificante. O Andrey sempre foi um ótimo aluno, demonstrando comprometimento, curiosidade e disposição para aprender durante todo o processo de graduação, e essas características estão fazendo a diferença na trajetória dele”, afirma.

O pesquisador comenta que as disciplinas eletivas ofertadas nos cursos da Uniso — que tem como objetivo proporcionar aos estudantes a possibilidade de cursar uma disciplina em um curso diferente do seu — foram fundamentais em seu processo de aprendizagem, pois elas possibilitam que os estudantes conheçam outros cursos e possam interagir com outros alunos. “Isso me ajudou a expandir meu conhecimento e entender que a Educação Física não é só exercício, ela não se dá só por musculação”, detalha Lima.
Segundo ele, essas interações entre estudantes de cursos diferentes proporcionaram a ele não somente benefícios acadêmicos, mas também comportamentais. “No começo eu era muito introvertido, a Uniso me mudou, me ajudou a ser um pouco mais comunicativo. E isso me levou para a Alemanha. Porque se eu não fosse comunicativo, não colocasse a ‘cara a tapa’, não buscasse essas pequenas missões, eu acho que não teria chegado lá”, reforça.

De acordo com Lima, outro ponto importante em sua formação foi a qualidade técnica do corpo docente da Uniso. Segundo ele, a Universidade ter professores mestres e doutores é um diferencial no meio acadêmico. “Isso me aproximou muito da pesquisa. Às vezes eu sentava, olhava e falava: eu quero ser assim também, inteligente, e poder pesquisar para entender como as coisas funcionam. Os professores foram um exemplo grande na minha vida”.
Ele conta que a pesquisa nunca esteve em seus planos, sendo algo que foi desenvolvido durante o curso. “Eu não sabia como funcionava o universo da pesquisa, e que para ser um professor acadêmico precisava trabalhar com ela. Tendo contato e vendo os professores pesquisando, entendi que tinha um jeito de ir além, de não ficar só naquela caixinha que todo mundo fica”, complementa.
Lima destaca também o ambiente acadêmico e a estrutura que a Uniso promove para seus estudantes. “No curso de Educação Física, tivemos aulas em salas diferentes, em que a ideia era promover mais a conversa, com dinâmicas, e aulas com participação ativa’, relata. “Convido os alunos a pensarem a Educação Física não somente como exercício. Ela é também educação, pesquisa, prevenção de doenças entre outras.”
Para o professor Garramona, a participação em um congresso internacional como o promovido pela ISEO, ratifica o compromisso da Uniso em oferecer um ensino de excelência. Segundo ele, além de possibilitar a divulgação da produção científica, esse tipo de experiência promove o intercâmbio de conhecimentos com grupos de pesquisa de diferentes países e amplia a visibilidade da instituição no cenário acadêmico internacional. “Isso demonstra que a formação oferecida pela Uniso prepara seus alunos para dialogar em ambientes científicos de alto nível, reforçando nosso compromisso com a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão”, pontua.
O professor orienta para que os estudantes aproveitem todas as oportunidades que a Universidade oferece. Segundo ele, a graduação vai muito além das disciplinas em sala de aula. É interessante que os alunos participem de projetos de pesquisa, iniciação científica, eventos, grupos de estudo e atividades de extensão que proporcionam experiências que contribuíram para o desenvolvimento profissional e pessoal. “Muitas vezes, essas oportunidades parecem desafiadoras no início, mas são justamente elas que ampliam horizontes e podem abrir portas para programas de pós-graduação, parcerias nacionais e internacionais e diferentes caminhos na carreira”, complementa.

Sobre o artigo
Segundo Lima, o artigo está na fase dos últimos ajustes para ser publicado por completo. Defendendo a valorização regional, o pesquisador frisa que os pacientes que participaram do estudo são todos de Sorocaba, sua cidade de origem. “É importante dizer que Sorocaba é um polo ativo de pesquisa. O trabalho, o fomento vem de São Paulo, da USP, porém, os pacientes com câncer que a gente trata são de Sorocaba, de um hospital da cidade”, enfatiza.
Lima explica que o objetivo da pesquisa foi identificar se existem diferenças no desempenho funcional entre pacientes com câncer colorretal avançado antes da quimioterapia, e idosos de mesma idade, não diagnosticados com a doença.
Para isso foram realizados três tipos de testes: o de “Sentar e Levantar”, que analisa a função dos membros inferiores do idoso; “Time Up and Go”, para avaliação da mobilidade e do deslocamento; e o teste de “Força de Preensão Manual”, que, utilizando-se de um instrumento conhecido como dinamômetro, testa a força dos pacientes, por meio de apertos feitos com as mãos.
Os resultados mostraram que o grupo dos idosos diagnosticados com o câncer apresentou menores valores de força de pressão manual e uma demora maior de tempo para a realização dos testes, indicando um possível comprometimento da força muscular e da mobilidade. “Isso demonstra a importância da realização de avaliações funcionais objetivas antes do início da quimioterapia”, aponta Lima.
A percepção de dificuldades de mobilidade muscular antes do início da quimioterapia, pode ajudar no tratamento?
De acordo com Lima, essa é uma das perguntas que o artigo busca responder. O pesquisador sinaliza que os pacientes que possuem os resultados de testes como estes em seus históricos médicos, podem ser direcionados para exercícios físicos específicos que podem auxiliar no tratamento. “O idoso com menos funcionalidade, quando é diagnosticado com câncer, tem um pior prognóstico. Então, quanto maior a funcionalidade desse idoso, melhor o prognóstico e também a chance de adesão e melhora no tratamento”, afirma. Sobre os benefícios da atividade física durante o tratamento de doenças, Lima faz questão de reforçar que muitas pessoas acreditam que o repouso é o melhor remédio, e acabam deixando os exercícios de lado, o que, muitas vezes, não é o indicado. “As pessoas pensam que quando você tem uma doença não pode fazer exercícios, você precisa repousar. Mas existem apenas alguns casos de doenças em que os exercícios não são indicados”, explica.

Saiba mais sobre o trabalho desenvolvido por Lima e Garramona, acessando a página do Laboratório de Investigação de Fisiologia do Exercício no Envelhecimento no Instagram: https://www.instagram.com/_lifeeoficial?igsh=Mmx1aW9xcWVpeGpl
Texto: Rafael Filho
Imagens: arquivo pessoal Andrey Santos Braz de Lima
