A FEB na Itália: a derrota dos nazistas
Por: professor Walter Cruz Swensson Junior e o estudante Marcelo Augusto Paiva Pereira
A Segunda Guerra Mundial (1939-45), deflagrada por Adolf Hitler após invadir a Polônia e dividi-la com Stalin, extrapolou os limites da Europa. Atingiu a América por causa do ataque aéreo japonês à base naval de Pearl Harbor, no Havaí, fez os Estados Unidos da América nela entrar e levar o nosso país para lutar naquele continente.
Quando teve início aludida guerra, o Brasil era governado por Getúlio Dornelles Vargas desde o golpe de Estado de 1930. Apesar de prometer um governo democrático (Constituição de 1934), seu regime era autoritário e, em 1937, outorgou a Constituição que foi chamada de “Polaca”.
Nesse espaço político e social, Getúlio Vargas era simpatizante de Adolf Hitler desde 1933, quando assumiu a chancelaria do Parlamento da Alemanha. Ambos nutriam condutas assemelhadas, embora o nazismo fosse uma ideologia exclusiva dos alemães. O presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, todavia, queria se aproximar do nosso país para afastar as ameaças nazistas na América.
O acordo (1941) com os americanos, para construir a Companhia Siderúrgica Nacional em Volta Redonda/RJ, não foi suficiente. Após o ataque aéreo japonês contra a base naval dos Estados Unidos em Pearl Harbor (Havaí) ocorreu a Conferência dos Chanceleres, aos 15 de janeiro de 1942 (Rio de Janeiro), da qual nosso país rompeu, aos 28 do mesmo mês, as relações diplomáticas com a Alemanha, que retaliou e afundou trinta e seis navios mercantes brasileiros entre 1942 e 1944.
Aos 31 de agosto de 1942, Getúlio Vargas declarou guerra contra os países do Eixo e se aliou aos Estados Unidos. Em janeiro de 1943 Roosevelt se encontrou com Vargas em Natal/RN e ambos trocaram gentilezas: aquele presidente o convidou para o Brasil ser um dos fundadores da ONU, enquanto o nosso ofereceu a ele um contingente militar para ir à guerra.
A Força Expedicionária Brasileira (FEB), criada aos 09 de agosto de 1943, levou aproximadamente 25 mil soldados (pracinhas) ao front na Europa, que desembarcaram aos 25 de julho de 1944 em Nápoles (Itália) e foram integrados ao V Exército dos Estados Unidos, comandado pelo general Mark Clark.
O primeiro contato com os nazistas aconteceu aos 16 de setembro, com a conquista de Massarosa pelos pracinhas. Outras cidades (Camaiore, por exemplo) e territórios montanhosos (Monte Castelo e Monte Prano foram dois deles) conquistados, tiveram o propósito de pôr fim à Linha Gótica dos alemães, que separava o norte do restante da Itália desde o Mar Tirreno até o Adriático. A conquista de Montese, entre 14 e 17 de abril de 1945, foi a batalha que a eliminou e abriu caminho para o avanço dos Aliados ao Vale do rio Pó.
A FEB também fez uso dos aviões de combate P-47 Thunderbolt, fornecidos pelo exército americano, com os quais bombardeou as cidades de Mazzancona (20.02.1945),
Montese (retro mencionada), Zocca (21.04.1945) e outros locais estratégicos ocupados pelos nazistas. Na batalha de Fornovo di Taro (norte da Itália), no fim de abril, a FEB rendeu incondicionalmente dois generais alemães e aproximadamente 15 mil soldados, além de equipamentos militares e farta munição. Aos 02 de maio de 1945, o V Exército dos Estados Unidos encerrou a campanha da FEB na Itália. A vitória era dos Aliados, dos quais fizemos parte.
Conclusivamente, a FEB participou junto dos exércitos dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial, com conquistas militares valiosas para os Aliados e ao nosso país, por ter eliminado a Linha Gótica, rendido oficiais superiores e milhares de soldados alemães e concorrido para livrar a Itália dos nazistas (embora este país tenha sido um dos integrantes do Eixo). Um grande mérito ao Brasil, às nossas Forças Armadas e aos nossos soldados expedicionários, que a História registrou com merecidas honrarias.
Sobre os autores:

Professor Walter Cruz Swensson Junior é docente da Uniso e possui graduação em História, e mestrado e doutorado em História Social. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil República e História Contemporânea

Marcelo Augusto Paiva Pereira é arquiteto e urbanista e graduando de Licenciatura em História pela Uniso.
E-mail para contato: secondo.appendino@gmail.com
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