10 de fevereiro de 2026
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Assistir para sentir: o potencial do cinema como estratégia de educação ambiental

Baseada na pedagogia libertária de Paulo Freire, pesquisadora defende que os filmes podem ser considerados um produto midiático livre, com mais liberdade e profundidade para gerar questionamentos e provocações

Gisele C. G. de Souza entende que a narrativa tem potencial mobilizador: “a história vai mexer muito mais do que a notícia” (Créditos: Fernando Rezende)

A pequena toalha branca é torcida com cuidado, assim que emerge da bacia metálica onde há um pouco d’água. A mão envelhecida esfrega levemente os pés e os tornozelos fortes e inertes de um Geraldo (Edison Raigosa) já sem vida; é seu pai, Alfonso (Haimer Leal), quem o prepara para o destino final. Alicia (Hilda Ruiz), a mãe, está ao lado, sentada na mesma cama onde Geraldo pode ser visto, agora, sem agonizar. Não sabemos quanto tempo ele esteve recluso e respirando com dificuldade nesse quarto fechado e mal protegido da poeira provocada pelas queimadas dos canaviais. Geraldo deixou o pequeno Manoel (José Felipe Cárdenas) de seis anos e a esposa Esperanza (Marleyda Soto).

A cena é parte do clímax do filme “Terra e Sombra” — no original, “La Tierra y la sombra” —, do diretor colombiano César Augusto Acevedo; o drama venceu o Caméra D’Ór de 2015.

A saga da família de Geraldo chamou a atenção de Gisele Cristina Gabriel de Souza, que decidiu incluí-la entre os materiais analisados em sua tese de doutorado em Comunicação e Cultura, defendida em 2023 na Universidade de Sorocaba (Uniso). No trabalho, orientado pela professora doutora Míriam Cristina Carlos Silva, Souza analisa o potencial poético de narrativas audiovisuais que trazem a questão ambiental como parte de seus enredos. “La Tierra é o preferido. É poesia pura. É assistir para sentir.”

Para ler a íntegra da reportagem, acesse: https://abrir.link/sfnss

Texto: Mara Rovida